Crédito: Caio Ramos | Correio Braziliense
Um projeto que converte lixo em arte ao transformar bitucas de cigarro em material artesanal ganhou o país. Muitos não sabem, mas a “Reciclagem de Bitucas” nasceu na Universidade de Brasília (UnB), em 2001, quando o então estudante de ciências biológicas Marco Antônio Barbosa e a professora do Departamento de Artes Visuais Thérèse Hofmann desenvolveram uma pesquisa nesse sentido. Eles identificaram que bitucas, quando trituradas e purificadas, podem virar papel artesanal reciclável. O começo foi difícil. Os desafios eram muitos. Mas a perseverança valeu a pena.
A professora conta que foram os pioneiros a explorar a ideia e explica como foram os primeiros resultados. “Não havia nenhum estudo que dissesse sobre o reaproveitamento de bituca de cigarro, era considerado lixo. Após os experimentos feitos no câmpus, vimos que, depois da descontaminação, as bitucas são transformadas em uma massa celulósica, que é, então, misturada com outros resíduos, como pétalas de buganvília (planta trepadeira), para criar um papel artesanal reciclável”, detalha.
Apesar de, na época, estar se graduando em biologia, Marco escolheu cursar a matéria optativa “Materiais em Arte”. Em um trabalho passado no fim do semestre, fez com que biologia moldasse um micro lixo. “A proposta era estudar papel de fontes alternativas, até mesmo de resíduos. O raciocínio foi que, se tem fibras, dá para virar papel. Aí, pensei, as pontas de cigarro são substâncias que, infelizmente, se veem muito no campus, jogadas no chão. Eu sabia que tinha essa matéria-prima dentro do cigarro, então, propus à professora”, recorda Marco Antônio.
Para dar continuidade ao projeto, Marco e Thérèse tiveram a ajuda do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT/UnB), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e do professor Paulo Suarez, do Instituto de Química (UnB).
O patenteamento foi solicitado pela UnB em 2003 ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) para garantir a proteção da ideia e da marca, evitando plágios. Somente em 2014, a “Reciclagem de Bitucas” foi patenteada e licenciada pela Poiato recicla, se tornando a Primeira Usina de Resíduos de Cigarros do Brasil.
Processo
Felipe Poiato, diretor operacional da Poiato Recicla, descreve como funciona o processo após as bitucas serem coletadas em todas as regiões do país. “Após serem encaminhadas para a usina em Votorantim, pesamos e realizamos a triagem da substância. Após, ela passa por um cozimento com água de captação de chuva e, depois, a solução química, separando o efluente da massa da bituca. Com isso, o efluente é encaminhado para tratamento biológico externo, a massa vai para uma lavagem e, depois, finalmente é triturada”, explicou.
Com o material pronto, o produto é destinado gratuitamente para instituições, artesãos, artistas, artivistas devidamente cadastrados na Poiato Recicla. A “Massa Celulósica”, produto da reciclagem das bitucas, é utilizada em instituições como terapia para as crianças e adultos, produção de artesanato, além de geração de renda para a própria instituição ou artesão”, destaca.
A Poiato Recicla é uma empresa especializada em Gestão de Resíduos de Cigarros, e criou todos os dispositivos adequados para o resíduo do cigarro (tóxico), chegue de forma segura para o processo de reciclagem. A Poiato atende o setor público e privado, em todas as regiões do país.
