Bituca vira flor no Cândido Ferreira

Reciclagem de resíduos de cigarros usados ​​para artesãos das oficinas do serviço de saúde

Campinas coletou, no ano passado, 1,8 milhão de bitucas de cigarro, que estão sendo transformadas em flores coloridas de papel e gerando renda para artes com transtornos mentais ou dependentes químicos da Oficina de Papel, localizada nas dependências do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira. O projeto de coleta, iniciado em 2015, com recursos do Programa Municipal de Meio Ambiente (Proamb), já tirou da natureza 5,7 milhões de bits no período e, segundo cálculo do secretário do Verde, Rogério Menezes, 2,8 milhões de litros de água dos rios contaminados.

O projeto, que exige R $ 200 milhões em investimentos, instala 200 caixas coletoras em vários pontos da cidade, como o Centro de Convivência, a Prefeitura, o Mercado Municipal, a Vitória da Unicamp. O material é coletado pela Poiato Recicla, de Votorantim, pioneira na reciclagem de resíduos de cigarros. Desenvolvido pelo empresário Marcos Poiato, o projeto utiliza tecnologia da Universidade de Brasília (UnB). Como bitucas coletadas são trituradas e gastam, um processo que elimina os metais pesados ​​e toxinas. Esse material descontaminado é misturado com compostos orgânicos e resíduos vegetais e serve como adubo para plantas em projetos de recuperação ambiental. O restante é transformado em cadernos e blocos de papel.

Segundo uma empresa, quase 200 milhões de bitucas são descartadas no Brasil, todos os anos e grande parte vão para calçadas, praças e ruas e acaba envolvendo compradores e bocas de lobo. Vinte bitucas misturadas a dez litros de água produzem um litro de material saturado de substâncias tóxicas como cádmio, níquel e nicotina, diz o secretário do Verde, Rogério Menezes, com base no estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP). Para cada quilo de bitucas é possível obter 800 a mil gramas de celulose.

Campinas, segundo Menezes, é pioneiro nesse tipo de projeto. Dos mais de 50 milhões de bitucas coletadas e recicladas pela Poiato, cerca de 10% são oriundos de Campinas.

Quando as coletoras de bitucas foram instaladas em 2015, uma média mensal de coleta foi de 36,7 mil; no ano passado subiu para 150,6 mil.

As cidades como Ilhabela, Boituva, Laranjal Paulista e Sorocaba já coletam bitucas para reciclagem. Coletoras foram instaladas pela iniciativa privada como ambiente de compensação, mas as caixas também estão chegando às ruas por ações usadas, como é o caso de Campinas.

Artesanato faz parte do serviço de inclusão social

No Serviço de Saúde Cândido Ferreira, em Sousas, 20 artesãos com transtornos mentais ou dependentes químicos produzidos em flores, capas de agendas e cadernos, usando uma massa celulósica a partir da reciclagem de bitucas de cigarros. O artesanato, informa o gerente do Núcleo de Oficina de Papel, Cleusa Cayres, é parte do serviço de inclusão social e geração de renda para as pessoas atendidas pelo serviço. Como flores são vendidas na entidade, e o recurso revertido em bolsa para artesãos.

Uma massa celulósica é feita ao lado de Cândido Ferreira dentro de uma parceria com Poiato Recicla para testar e validar, em caráter experimental, ou processo de utilização dessa massa a partir da bituca de cigarro. “A experiência tem sido muito boa, porque inclui e gera renda aos nossos artesãos”, afirmou. Segundo ela, muitas vezes, essa oficina é uma única fonte de renda dessas pessoas.

Ana Paula Ferreira lembra que o projeto começou no ano passado e que os artesãos estão motivados com uma iniciativa. No Cândido Ferreira, uma massa é picada, deixada e molho e depois batida em liquidificadores. Em seguida é tingida, forma e papel que virará flores, capas de agendas e outros materiais.

 

Fonte: https://correio.rac.com.br/_conteudo/2020/02/campinas_e_rmc/899018-bituca-vira-flor-no-candido-ferreira.html